December 24, 2009

Gostei tanto de Micmacs À Tire-Larigot! O Jeunet pode não ser um diretor dos mais prolíficos, mas isso também faz com que cada filme dele seja uma obra pensada nos menores detalhes, tanto em cinematografia como em diálogo. Acho que todo mundo já sabe que eu acho "Amélie" super-valorizado e "Un Long Dimanche de Fiançailles" chatérrimo. Portanto, "Micmacs" é um muito bem-vindo retorno ao caos visual e comédico da época da parceria com Marc Caro. Sem o Caro.
Sem contar que é sempre bom rever os atores veteranos queridos, como o André Dussolier e Jean-Pierre Marielle. Só o Dominique Pinon não me convence mais, com o excesso de caretas e maneirismos. Mas enfim, é sinônimo de Jeunet, né?

December 15, 2009


Ok, mais um auto-jabá. Saiu pela Manole/Amarylis o "Diários de Bicicleta", do David Byrne, do qual fiz parte da tradução :)

O Byrne é grande defensor da bicicleta como meio de transporte, e procura utilizá-la em todos os lugares a que vai - de Buenos Aires a Manila, passando por Berlim, NY e outras cidades. Daí veio a ideia do livro, onde ele relata as suas impressões e reflexões sobre o meio-ambiente e espaços urbanos. Quem já acompanha o blog dele já sabe o que esperar : textos despretensiosos e inteligentes, gostosos de ler mesmo. Outro trabalho que curti imensamente fazer.

December 13, 2009

Engraçado, fazia muito tempo que não ia ao teatro. Nunca via nada interessante o bastante em cartaz pra me tirar de casa aqui. Em São Paulo, na pior das hipóteses, iria ver o trabalho dos amigos. Mas aqui? A programação do Stadsschouwburg se alterna entre textos clássicos e contemporâneos, cujo único ponto em comum é serem batidos. Vejo as fotos de algumas montagens, bocejo. E há os centros culturais, com algumas coisas mais criativas, mas nada de arrebatador. E pra eu botar meu pé na rua hoje em dia, francamente, precisa valer muito a pena.

(= velha, cansada e ranzinza)

Mas aí vi uma peça de Jan Fabre anunciada, e me obriguei a sair da inércia. Dois dias apenas de "The Orgy of Tolerance", o trabalho mais recente da Troubleyn (a companhia de Fabre), então comprei os ingressos sem pensar muito. E lá fui eu.

A sala nova do Stadsschouwburg é uma caixa preta moderna, com um palco entre o semi-arena e o italiano. A única coisa estúpida é a distância entre as filas de cadeiras, que obriga a fileira inteira a se levantar pra deixar os atrasados que têm assentos bem no meio (claro) passarem.

A peça? Com esse nome, achei que fosse mais radical. Mas a primeira metade foi só de sketches parodiando a TV e a sociedade de consumo. Como se a gente já não aguentasse muito disso há umas décadas :\ Sinceramente, Jan Fabre ou não, vi trabalhos amadores melhores que isso. Mas depois as ideias começaram a se tornar mais interessantes visualmente, e as partes com menos texto acabaram sendo melhores. O elenco era bem uniforme, mas não achei ninguém brilhante. E a crítica ao excesso de tolerância (=bundamolismo + politicamente correto) é bem procedente, mesmo que não executada da maneira mais criativa possível (hã, a personagem que grita impropérios racistas vai vestindo uma roupa que se revela...tadaaaah, um uniforme da KKK. Smooth it ain't). O discurso do John Doe de "Se7en" teria cabido bem ali.

Enfim, saí dividida. Gostei, mas muito menos do que esperava. Valeu por alguns momentos bons e por me tirar de casa, mas dificilmente vai ser algo a que eu vá me referir no futuro. Excertos aqui no vídeo :

November 17, 2009

E eu fui ao Paradiso ver o show da incrível Imelda May. Dizer que ela é uma cantora à moda antiga, que sabe se expressar cantando, é pouco. Ela tem uma voz sensacional, é linda, sexy e simpática. Instant diva.

November 12, 2009

Fazia tempo que eu não amava um filme do tio Woody. Gostar, sim. Mas sair feliz e com vontade de ver de novo e recomendar pro mundo inteiro? Fazia tempo.
Em "Whatever Works", tudo funciona (pun intended - e tenho certeza de que tanta gente vai fazer a mesma piada infame...). Texto rápido, mordaz, ranzinza, engraçadíssimo e cheio de frases memoráveis. Larry David, o alter ego perfeito. Derrubar a quarta parede. Elenco equilibrado e muito bom. NY como nem "New York, I Love You" conseguiu retratar.

Oh, Woody, Woody, chega dessas bobagens de filmar em outras cidades e personagens que não sejam você. I missed you so bad.


November 10, 2009

Aproveitei pra ver "Where The Wild Things Are" no Loews da rua 34. E devo dizer que não é um filme para crianças. Penso que seria mais um filme para adultos com issues mal resolvidos desde a infância. Muitas neuroses, muita agressão, muitos sentimentos realmente selvagens. A única coisa que me cativou de verdade foi a trilha maravilhosa da Karen O. O resto, bem, foi interessante. De verdade, mas não sei se é um filme onde você consiga algum tipo de identificação com o Max, a não ser que você seja uma pessoa que tenha tido uma infância extremamente solitária e traumática. Ou que tenha um filho que se sinta assim (hope not).Eu não consegui. Não tenho filhos, e minha infância foi razoavelmente bem equilibrada. Achei o Max um garoto extremamente mimado e descontrolado.
Apesar da premissa, não é um filme mágico, não é um filme feel good. As wild things são reflexos de qualquer personalidade humana, com ciúmes, inveja, frustrações, medos e alegrias primais. E as conexões estabelecidas são baseadas em admiração e medo, depois transformadas em respeito e amor. Não sei se posso assinar embaixo disso, porque não sei se concordo. Mas enfim, visualmente há cenas incríveis, e emocionalmente talvez também. Mas vai depender de cada um.

November 07, 2009


E quem diria que o Dennis Hopper, além de atuar e dirigir, tinha tantos outros talentos? Combinada com o lançamento de um livro de suas fotografias lançado pela Taschen, uma grande mostra de suas obras foi montada na galeria Tony Shafrazi, em Chelsea. Fiquei realmente impressionada, tanto com as fotos e pinturas quanto com os retratados. Na mesma parede, gente como Warhol, Rauschenberg, Ruscha, Lichtenstein, Rosenquist...só artistas? Não, atores também : Paul Newman, Tuesday Weld, Jane Fonda e outros. E músicos : o Grateful Dead, os Byrds, Phil Spector, James Brown, Ike e Tina...A isso tudo se junta o cotidiano de gente simples, no Harlem ou em Tijuana, e paisagens urbanas desoladas, formando um panorama de imagens que, se não tem muito de excepcional, é um registro excelente e bonito dos EUA dos anos 60 em preto-e-branco.
Clicando aqui no site da galeria, muitas fotos da exposição.